30 anos de Mídia
Tática
Por Felix Stalder
Mídia tática como uma prática tem uma
história longa, e parece seguro predizer, um futuro ainda maior.
Ainda assim, sua existência como um conceito particular ao redor
de um movimento social, ou mais precisamente, de uma rede
auto-consciente de pessoas e projetos que ali se coalesceria, teve uma
vida relativamente curta, muito confinada à primeira
época da internet como um meio de massa (1995-2005). Durante
aquele tempo Geert Lovink and David Garcia, dois
ativistas/teóricos de mídia holandeses, do
coração dessa rede, definiam Mídia Tática
como:
"o que acontece quando a mídia "faça-você-mesmo",
tornada acessível pela revolução do consumo de
eletrônica e expandidas formas de distribuição (de
acesso a cabos públicos e a internet) são exploradas por
grupos e individuos que se sentem atingidos ou excluidos de uma cultura
mais ampla. Mídia tática não somente para reportar
eventos, já que nunca são imparciais, sempre participoam
e é isso mais do que qualquer outra coisa que os separa da
mídia comercial".2
Assim como tantas outras coisas que são agora comuns em nossas
vidas informacionais, a raiz da mídia tática está
nas inovações culturais dos movimentos sociais radicais
que se espalhou no fim dos anos 1960s. Não somente
começaram a explorar as mudanças tecnológicas para
a auto-produção de mídia, mas criaram
idéias completamente novas sobre o que poderia ser a
mídia: not apenas condutores de propadagnda de estado mais ou
menos sofisticada (como na famosa análise de Althusser "aparatos
ideológicos de estado"3), ou uma fonte de
informação "objetiva" provida por uma elite professional
(liberal). Ao contrário, eles re-conceitualizaram a mídia
como uma expressão subjetiva, por e para pessoas que não
estão representadas no mainstream.
Em vista das significantes barreiras tecnológicas à
produção e difusão de mídia autônoma
que existia já nos anos 1990s, a primeira onda de mídia
"faça-você-mesm@" pensou sobre si como "mídia
comunitária" representando minoriais locais, sociais, cultural
ou étnicas. Nos EUA, a mídia comunitária era
centrada na televissão e rádio aberta (public access).
Estas foram possíveis por fortuitas legislações
que requeriam de empresas de mídia a prover um canal para
programação local não-comercial. Isso crioi uma
base tecnológica e financeira para ativistas comunitários
gerenciar canais de TV (de baixo custo). por todo o país,
estações de TV locais surgiram, provendo grupos
comunitários plataformas nas quais produziam programas por e
para el2s mesm@s. Durante os anos de 1970, a tecnologia de vídeo
desenvolvia há uma velicodade muito rápida, reduzingo a
maior parte do trabalho e dos custos do equipamento enquanto melhorava
a qualidade das gravações e as formas de
pós-produção. Nos anos 1980s, teve como
ápice a "revolução da câmera", que se
referia as gravadoras de vídeo portáteis que se tornaram
disponíveis em muitos lugares. Elas paraciam oferecer as
possibilidades de se engajar em "contra-vigilância", ex: a
habilidade de documentar abusos de poder. Assim como o caso de Rodney
King mostrava no começo das anos 1990 em Los Angeles, as
consequências de tal "contra-vigilância" poderiam ser
dramáticas.4 Nauela mesma época, novas
transmissões de satélite fizeram possíveis
começar uma distribuição de conteúdo
nacional, não somente local. Esse desenvolvimento foi levado
adiante por Deep DishTV, fundada em 1986. Seu objetivo era "fazer o que
a mídia de massa não pode fazer por você:
identificar e ampliar, sem alteração ou
limitação, as vozes das culturas sem sede que lutavam por
tempo igualitário."5 Na Holanda, Tv de cabo publica possibilitou
uma movimentada cena de rádios e tvs piratas que desenvolveu-se
paralelamente com os primeiros projetos de acesso á intrenet
como a Cidade Digital de Amsterdam, criando uma rica cultura local de
mídia experimental e política.6 No resto da europa, parte
por seu diferente ambiente regulatório, a Tv de acesso
público teve um papel menor, enquanto rádio
comunitária - no caso da Grã-Bretanha, rádio
purata - florescia desde os anos 1970s. Hoje, o modelo de acesso
público ainda é relevante e sempre expandindo. Em Vienna,
por exemplo, um novo canal de acesso público (Okto TV) abriu em
2005. Ainda assim, o ambiente da TV mudou significamente nos
últimos 30 anos, e a TV de aceso público corre o perigo
de se tornar apenas mais um canal-estreito no meio de um número
infinito de canais.
Na metade dos anos 1990, os custos da produção de
mídia diminuiu ainda mais, e a internet começava a
oferecer uma promessa crível de uma plataforma alernativa de
distribuição. Tornou possível evitar algumas
limitações da mídia de massa, incluindo sua
firme-limítrofe separação entre emissor e
receptor, que até a mídia comunitária não
conseguiiu suiperar (mesmo que a tornassem mais fáceis para
membros rornarem-se produtores). Uma nova geração de
ativistas de mídia começou a expérimentar com
novas possibilidades de redes de comunicação abertas, que
foram, e ainda em grande parte são, ainda uma promessa a ser
realizada, mais do que uma infraestrutura disponível pronta.
El@s radicalizaram as idéias de mídia comunitária,
convocando tod@s a produzir sua própia mídia em aopio
às suas lutas políticas. Esse novo ativismo de
mídia foi motivado por 3 diferentes insights. Priemiro,
teóricos culturais chamavam para uma reavaliação
de como indivíduos lidavam com produtos de mídia. Mais do
que ver indivíduos simplesmente como consumidores passivos, eles
foram entendidos como engajados em uma apropriação
tática da mídia.7 Novas mídias poderiam transfomar
essa prática de um nível individual a um nível
social. Por isso o termo "mídia tática". Segundo, foi
entendido muito claramente que toda política é,
até um certo nível, política mediada e que a
antiga distinção entre a "rua" (realidade) e a
"mídia" (representação) não podia mais ser
sustentada. Ao contrário, a mídia permeava toda a
sociedade, e para contestar a dominação, foi
necessário o desenvolvimento de novas formas de
produção e distribuição. Não como
uma tarefa separada dos movimentos sociais, mas como uma ativiadde
chave por onde os moviemntos socias podiam coalescer-se. Finalmente, o
ambiente midiático caracterizado pela lógica
geográfica da transmissão em massa foi suplantada por um
ambiente definido por muitas-a-muitas lógicas de acesso.
Neste ambiente, trabalhar em rede ocorria naturalmente, e alguns dos
eventos-chave que estavam nessa rede foram largos protestos sociais que
monitoravam os encontros políticos internacionais do WTO
(Organização Mundial do Comércio - OMC), G8 e
similares organizações de "livre comércio" ap
final dos anos 1990s e começo dos anos 2000. Isso inspirou a
criação de uma rede internacional de projetos de
mídia locais sob o nome de Indymedia (Mídia
Independente), que, pelo menos inicialmente, entendia-se como uma marma
midiática do movimento anti-globalização. No
entanto, enquanto Indymedia correntemente enlista perto de 200 nodos
locais, regonais e nacionais, nunca realmente comparou-se ao pleno
fôlego do movimento, e provavelmente nunca teve essa
intenção. Ao contrário, Indymedia parece florescer
onde os nodos estão fortemente envolvidos em comunidades locais,
privilegiando as lutais locais concretas no lugar de políticas
abstratas e globais.
Mesmo angtes ed Indymedia tornar-se a primeira plataforma
midiática verdadeiramente global, uma série de
conferências ocorreram em Amsterdão (1995-2003) chamadas
"The Next Five Minutes" (N5M - Os próximos cinco munutos).8 Elas
convergiam os precurssores ativistas da internet e os conecatva com a
geração anterior de produtores de tv de acesso
público assim como produtores de filmes independentes,
re-conceitualizando todo o movimento como Mídia Tática.
Esses projetos de novas mídias foram entendidos como
táticos porque não eram direcionadis a estabelecer
estruturas de longo-termo, mas sim rápidas
intervenções que podiam ser realizadas com alta destreza
e pequenos apoios. Era a prática no lugar da teoria,parcialemnte
como uma tentativa de deixar de lado os extenuantes debates sobre
identidade e representação que esbravejava há mais
de uma década.9
Uma abordagem em pouco espaço de tempo caía bem para
experimentalmente explorar um ambiente de uma nova mídia que
estava raidamente emergindo. A tecnologia estava sendo desenvolvida
numa velocidade extremamente rápida durante a fase de
hiper-crescimento da internet, e uma sociedade civil global apenas
começava a ser forjada. Dessa forma, mjuitos dos projetos de
Mídia Tática eram ainda mais marginais do que a
mídia comunitária da geração anterior, e
mesmo assim tinham um papel importante no estabelecimento de
práticas de ativistas de mídia adaptadas às novas
condfições das redes abertas. Por um pequeno
númerode anos, e basicamente pela intensiva rede de conferncias
como N5M, a Mídia Tática floresceu como uma
prátuca distinta e auto-ciente de ativistas de mídia
interessados na inovação tecnológica e
política.
No entanto, a partir do momento que as tecnologias da internet
amadureceram, algumas contradições inerentes do conceito
de Mídia Tática tornaram-se aparentes.Por exemplo, prover
infraestrutura para projetos é uma medida de longo-termo, mais
do que uma medida tática e pode facilmente overburdens e
afrouxar redes. Indymedia tem sido a exceção à
essa regra, e basicamente porque aproximou-se da mídia
comunitária, feita por e para uma relativamente distinta classe
do movimento mais largo de anti-globalização.
Organizações financiadas pelo governo ativas nessa
área, assim como De Waag em Amstrerdão, ou perderam o
interesse ou, como no caso da Public Netbase na Áustria, tiveram
seu financiamento cortado, deixando o campo aberto para
organizações menores e mais especializadas. O que foi
mais importante, no entanto, foram as contradições
conceituais entre a integração da produção
midiática em todas as formas de movimentos políticos de
base como parte de seu Kit-Ferramenta, e construindo uma identidade
partyicular ao redor dessa prática cada vez mais comum. O
movimento como um todocomeçou a dissolver à medida que
mais pessoas faziam mídia tática sem pensar sobre
Mídia Tática. De uma forma, Mída Tática foi
tão bem-sucedida em estabelecer uma nova prática
política, que não poderia mais servir de abordagem
distintora de somente uma comunidade.
isso faz com que o cenário atual da situação
esteja decididamente embaralhado. De um lado, a produção
tecnológica tornou-se ainda mais acessível, tanto em
termos de preço e facilidade de uso. Com o advento de companhias
de hospedagem de páginas comerciuais para blogs e vídeos
, a distribuição foi profissionalizadaa um nível
bem alto. Em consequência disso, tornou-se muito fpacil filmatr,
editar e distribuir conteúdo rico de mídia para
audiências maiorews e menores. Isso é uma boa
notícia, particularmente para ativistas em países e,m
desenvolvimento. ao mesmo tempo, a captura comercial da infraestrutura
criou novos entraves onde a censura e o controle do conteúdo de
mídia pode e devefuncionar eficientemente.
Foi assim que essa produção autônoma de
mídia para campanhas de base tornou-se largamente estabelecida
como uma preocupação central de movimentos
políticos contemporâneos, e não pouco por pioneiros
da Mídia Tática dos anos 1990s. No entanto, sua crescente
appoio nas infraestruturas comerciais introduziu novos pontos de falha
que tornam-se aparentes à medida em que a polícia das
plataformas comerciais se intensifica. parcialmente como uma
reação das pequenas manifestações de
mídia tática somada ás pressões das
plataformas comerciais, há um interesse renovado na
infraestrutura entre desenvolvedores de mídia oruentrados
politicamente. Um exemplo é a rede global de iniciativas chamada
"Bricolabs" que se descreve como uma "rede distribuída de
desenvolvimento de Mídia Comunitária e Mídia
Tática global e local através de infraestruturas
genéricas incrementalmente desenvolvida por comunidades."10
bricolabs, de uma forma, combina os dois lados da Mídia
Comunitária e da Mída Tática, procurando formas de
colocar em rede comunidades locais para auto-apoiarem-se do
desenvolvimento de infraestruturas alternativas para a
produção de mídia. quão longe está
esse objetivo pode ser alcançado continua a ser um
mistério, mas é claro que apesar do declínio da
Mídia Tática de uma forma estreita, a prática
social de produção de mídia autônoma
continua a ser adaptativa e inovativa.
NOTES
1. Esse texto foi beneficiado de comentários de Konrad Becker,
David Garcia e Patrice Riemens.
2. Lovink, Geert; Garcia, David (1997): The ABC of Tactical Media.
http://www.ljudmila.org/nettime/zkp4/74.htm
3. Althusser, Louis (1971). Ideology and Ideological State Apparatuses
(Notes towards an Investigation), (trans. Ben Brewster) in: Lenin and
Philosophy and Other Essays, Monthly Review Press
http://www.marxists.org/reference/archive/althusser/1970/ideology.htm
4. Wikipedia: Rodney King. http://en.wikipedia.org/wiki/Rodney_King
5. Yablonska, Linda (1993). Deep Dish TV. High Performance #61, Spring
http://www.communityarts.net/readingroom/archivefiles/1999/12/deep_dish_tv.php
6. Lovink, Geert; Riemens, Patrice (2000). Amsterdam Public Digital
Culture 2000. In Telepolis, 18.08.
http://www.heise.de/tp/r4/artikel/6/6972/1.html
7. Certeau, Michel de (1988). The Practice of Everyday Life. Berkeley,
University of California Press
8. http://www.next5minutes.org/
9. Wark, McKenzie (2002). Strategies for Tactical Media. In:
Proceedings from the South Asian Tactical Media Lab. Nov. 14-16. Delhi.
http://www.sarai.net/resources/eventproceedings/2002/tactical-media-lab/strategies.PDF
10. http://www.bricolabs.net [28.02.2008]